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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Monstros são monstros

A novela acabou. Mais de 3 anos depois do episódio que chocou o pais, Lindemberg, o jovem que matou Eloá, foi condenado. Vai pro xadrez. Ele manteve reféns, sob a mira do revólver, a ex-namorada e a amiga dela. Esta se safou. Aquela, não. A pena do rapaz? 98 anos e 10 meses de reclusão. Não vai cumprir tudo isso (até porque não viveria tanto assim). O código Penal Brasileiro prevê, no máximo, 30 anos de prisão. 


A advogada dele apostou todas as fichas no jeitinho brasileiro. “Lindemberg é apaixonado por Eloá. Foi o grande e único amor da vida dele [...] Peço que os senhores condenem o Lindemberg pelo homicídio culposo, pois ele não desejou o resultado. Ele sofre pela morte dela.", disse ela. Se deu mal. Apelo irrelevante. Cadeia nele!

Para a felicidade de brasileiros e brasileiras, no país do jeitinho, a justiça, dessa vez, foi feita. A mãe de Eloá se pronunciou. Após agradecer à população, à juíza, à promotora, aos advogados da família Pimentel, aos assistentes de acusação e a Deus, declarou: "Nada vai diminuir a minha dor, mas a justiça vai ser feita".

A condenação de Lindemberg levanta questão pra lá de relevante. Por que a justiça não é igual pra todos? Saquear o dinheiro da merenda das crianças, dos remédios dos doentes, da aposentadoria dos idosos, da manutenção da saúde pública, da segurança do país, da educação dos brasileirinhos também não são crimes terríveis? Não, pelo menos na nossa Pindorama. Os políticos corruptos agradecem. Impunes, deitam e rolam no teatro tupiniquim. Entretanto, a verdade é uma só: monstros são monstros. Não há distinção. Senhores juízes, o Diabo também veste colarinho branco.   


Alessandro

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